terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fórum Social Mundial começa em busca de 'outro mundo' Evento começa na tarde desta terça-feira (27), em Belém.Além do presidente Lula, outros quatro chefes de Estado participam. Enquanto a maior parte do mundo assiste com temor aos efeitos da crise financeira internacional, os mais de 100 mil inscritos para o 9° Fórum Social Mundial (FSM) enxergam uma oportunidade. O evento reúne representantes de organizações sociais do mundo e começa na tarde desta terça-feira (27) com uma caminhada pelas ruas de Belém (PA), cidade-sede dos debates. O primeiro FSM foi realizado em 2001 na cidade de Porto Alegre (RS) e terminou com o slogan “Um outro mundo é possível”. Para os organizadores, após a “crise do sistema capitalista”, o desafio dos participantes da edição deste ano é tentar mostrar que mundo é este. Ou melhor, que mundos são estes, uma vez que a pluralidade é uma marca do Fórum. “Temos a chance e o desafio de dizer o caminho. O Fórum é uma universidade aberta, onde todas as idéias são legítimas e a própria perspectiva do evento é de promover a pluralidade. Portanto, são vários mundos possíveis”, afirma Cândido Grzybowski, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), uma das 129 entidades que organizam o Fórum. Para o diretor-geral do Ibase, a crise permitirá a “reconstrução” do modelo de desenvolvimento no mundo e o trabalho do fórum é apontar as diretrizes. “A crise abre uma possibilidade de reconstrução em cima de outras perspectivas, envolvendo a participação do cidadão e as questões ambientais”, opina. O meio-ambiente, aliás, deve ser um dos “mundos” a provocar muitos debates. O evento acontece na Amazônia, o que, para o secretário-geral da Presidência, ministro Luiz Dulci, já traz o tema para o topo das prioridades do Fórum. “A Amazônia não é só brasileira. A questão amazônica certamente entrará na pauta do Fórum. O presidente Lula deverá incluir esta questão em seu discurso e falar sobre o esforço ambiental do governo. O desafio da Amazônia pode e deve ser discutido, porque isto é uma questão de grande interesse”, afirma Dulci. Apesar de ter um caráter não-governamental, o FSM terá a presença de 12 ministros e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal nega que haja qualquer intenção de “influenciar” o fórum e destaca que a presença dos ministros se dá devido a convite das entidades. Além do presidente Lula, outros quatro chefes de Estado têm presença garantida no evento. Evo Morales (Bolívia), Hugo Chavez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) participarão, junto com Lula, de um debate na quinta-feira (29) sobre a “América Latina e a crise financeira internacional”. Segundo a organização, o Fórum já recebeu mais de 100 mil inscrições e outras pessoas poderão ainda participar do evento. São 5.860 organizacões participantes de mais de 150 países. A pluralidade e a descentralização do FSM ficam explicitas no número de atividades: 2.400. As ações acontecem em dois territórios e 18 tendas temáticas dentro das Universidade Federais Rural do Pará (UFRA) e do Pará (UFPA). Somam-se a estas atividades outras 200 ações culturais que serão promovidas por participantes do Fórum na cidade de Belém. Tudo isto até o dia 1° de fevereiro, data de encerramento do encontro. Para abrigar o evento, a cidade de Belém recebeu cerca de R$ 330 milhões em investimentos públicos, R$ 77,5 milhões deles da União. Segundo o ministro Luiz Dulci, os gastos se concentraram nas áreas de segurança pública, saúde, turismo e educação, uma vez que o evento acontece em universidades públicas. FONTE: G1

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